Victor Grippo, o artista que usou a Química

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 0 Flares ×

Durante sua carreira, o falecido artista argentino Victor Grippo optou por utilizar um motivo tradicionalmente estranho ao reino das artes visuais: a batata. Em suas mãos, a batata torna-se uma poderosa metáfora para a transformação e a energia latente. As analogias de Grippo entre matéria e espírito coloca batata em algo com um alto status, aludindo a uma prática alquímica – a antiga arte de transformar metais comuns em ouro. Ao conduziu experimentos Grippo parecia transformar-se no excêntrico professor obcecado com alquimia – o poder mágico ou processo de transmutar uma substância comum em algo de grande valor. Dentre as obras de Grippo está a Energia de uma batata (ou sem título ou energia) que consiste em um circuito elétrico simples no qual um multímetro analógico é conectado a uma batata por dois fios. Como os eletrodos na extremidade dos fios são de metais diferentes – um de cobre, o outro de ferro galvanizado com zinco – o circuito permite que a batata funcione como uma simples bateria. A bateria funciona através

Energia de uma batata 1972 Victor Grippo 1936-2002 Apresentado pelo Comitê de Aquisições da América Latina 2005 http://www.tate.org.uk/art/work/T12167

dos processos reciprocamente equilibrados de oxidação e redução que ocorrem nos eletrodos: os sucos ácidos da batata oxidam o zinco, produzindo elétrons que passam através dos fios e multímetro para o eletrodo de cobre, onde reduzem os íons de hidrogênio para formar hidrogênio. Como o zinco se dissolve lentamente como resultado desse processo, o eletrodo precisa ser renovado periodicamente. Da mesma forma, a batata perece e quando o trabalho é exibido, geralmente é substituído semanalmente. Em ‘Vida, Muerte, Resurrección’ (‘Vida, Morte, Ressurreição’), 1980, Grippo enche caixas de chumbo com feijão, que lentamente crescem e explodem para fora dos limites do metal. Considerada no contexto da ditadura argentina de 1976-1983 em que foi feita, a beleza simples da obra torna-se um símbolo do poder da vida para resistir aos esforços de contê-la. O trabalho alude ao potencial de resistência de base, em tempos de opressão e controle estatal.

Fonte: Tate e  The Argentina Independent

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 0 Flares ×

Professor de Química Analítica da Universidade Federal do Amazonas, autor de livros em Química, Editor da Revista Eletrônica Scientia Amazonia e da Revista Divirta-se com o Clube da Química.

About Genilson Pereira Santana

Professor de Química Analítica da Universidade Federal do Amazonas, autor de livros em Química, Editor da Revista Eletrônica Scientia Amazonia e da Revista Divirta-se com o Clube da Química.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *