A química e sociedade

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Assim, quase sempre, é exigida a pura memorização, restrita a baixos níveis cognitivos, geralmente consolidados por exames de vestibulares e em livros textos amoldados com esta situação. Enfatizam-se muitos tipos de classificações, como tipos de reações, ácidos, soluções e outros temas, que não representam aprendizagens significativas.

Sabemos que o ensino de Química contribui para uma visão mais ampla do conhecimento, possibilitando melhor compreensão do mundo físico e construção da cidadania, colocando em pauta, na sala de aula, conhecimentos socialmente relevantes, que façam sentido e possam se integrar à vida do aluno. Neste caso, a Química é uma ciência caracterizada por um modo de pensar e um modo de fazer.

Mas o que significa ensinar química para o cidadão? Será que o cidadão precisa de conhecimento em química? Será que o ensino de química que temos ministrado em nossas escolas tem preparados os nossos jovens para o exercício consciente da cidadania? Será que ensinar química para o cidadão é o mesmo que preparar alunos para o vestibular? Entretanto, é preciso introduzir os alunos à maneira científica de ver as coisas, a natureza, o mundo.

Logo, a reflexão e construção da prática pedagógica são caracterizadas pelas dificuldades, inseguranças, angústias e incertezas. Portanto, A ciência não pode ser ensinada como um produto acabado, que ela é fruto de criações humanas, com determinadas visões do mundo e propensas a erros e acertos.

Pode ser dito que o manuseio e utilização de substâncias, o consumo de produtos industrializados, os efeitos da química no meio ambiente; a interpretação de informações químicas veiculadas pelos meios de comunicação, a avaliação de programas de ciência e tecnologia e a compreensão do papel da química e da ciência na sociedade caracterizam os conteúdos que devem ser abordados na sala de aula.

Os experimentos são uma ferramenta que pode ter grande contribuição na explicitação, problematização, discussão e construção dos conceitos de química entre os alunos, criando condições favoráveis à interação e intervenção pedagógica do professor, pois como parte do processo, quer queira quer não, irão surgir possibilidades de reflexão sobre sua prática pedagógica. Tendo como resultado final, a construção do conhecimento científico por parte dos alunos e um trabalho educacional cada vez melhor, atingindo sempre sua finalidade, que é formar cidadãos capazes de transformar sua realidade social, seja por participação ou julgamento.

Os professores precisam sentir bastantes desafiados a tornar as suas salas de aula um espaço constante de investigação e interação social, transformando-as em uma contínua reflexão e revisão do trabalho pedagógico. Além disso, o papel do professor é introduzir novas ideias ou ferramentas culturais, fornecendo apoio e orientação aos estudantes, além de ouvir e diagnosticar as maneiras como as atividades instrucionais estão sendo interpretadas.

Uma forma de introduzir novas ideias é através das interações sociais do aluno no aprendizado da química, pois, se as representações cotidianas de certos fenômenos naturais feitas em sala de aula forem muitos diferentes das representações científicas a aprendizagem acaba sendo difícil ou mesmo incompreendida pelos alunos. Portanto, para que os alunos adotem formas cientificas de conhecer, é essencial que haja intervenção e negociação com o professor.

Neste aspecto, um dos grandes desafios dos professores do ensino médio e fundamental é construir uma ponte entre o conhecimento ensinado e o modo cotidiano dos alunos. A falta de recursos financeiros é um dos principais problemas para os professores tornarem suas aulas mais atraentes e motivadoras. Sendo assim, a inclusão de protótipos e experimentos simples nas aulas tem sido um fator decisivo para estimular os alunos a adotar uma atitude mais empreendedora e a romper com a passividade que, em geral, lhes é subliminarmente imposta nos esquemas tradicionais de ensino. Nesta linha de atuação, o professor pode e deve instigar seus alunos a simplificar os experimentos e protótipos até reduzi-los a um mínimo, pois, está é uma forma de desenvolver novas habilidades e a capacidade de buscar soluções alternativas.

Referências bibliográficas

SANTOS, W. L. P., SCHNETZIER, R. P. Função Social – O que significa ensino de química para formar o cidadão? Química Nova na Escola, No. 4, 28-33, 1996.

BRIGHENTE, I. M. C.; MARCONI, D. M. O.; SOUZA, T. C. R. Utilização de aulas experimentais como recurso instrucional. Disponível em < http://www.sbq.org.br/ranteriores/23/resumos/1321-1/ >. Data de acesso 5 de março 2005.

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Professor de Química Analítica da Universidade Federal do Amazonas, autor de livros em Química, Editor da Revista Eletrônica Scientia Amazonia e da Revista Divirta-se com o Clube da Química.

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