O pesquisador brasileiro precisa cuidar de seus resultados

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Em praticamente todas as instituições que fazem pesquisa de alguma forma no Brasil a ordem do dia é publicar. Não interessa o que é importante, mas  ter uma qualis de preferência A deve ser o objetivo. Ao analisar mais friamente essa questão nos deparamos com uma série de questões, dentro as quais não quero destacar o valor de um artigo em termos de qualis de A a C e sim o efeito de uma publicação. Normalmente, a busca dos pesquisadores é pelo reconhecimento e a valorização do seus resultados sejam eles quais for. Por outro lado, existe o processo de inovação tecnológica e a busca por um produto que seja lucrativo. Vejamos o exemplo da área da saúde cujo processo de cura está relacionado muitas vezes a descoberta de uma nova molécula, combinações de substâncias etc. Ao longo da história da ciência, o homem já experimentou a sensação de ser um deus, mostrando ser capaz de sintetizar centenas de milhões de moléculas. Em comparação com a natureza, isso não é nada, além de que a imaginação humana não é capaz ainda de produzir moléculas extremante complexas como aquelas encontradas naturalmente. Para isso, existem cientistas que isolam e caracterizam novas moléculas. Atualmente, existe uma grande quantidade de resultados sendo publicados todos os dias sobre novas moléculas com os mais variados princípios ativo.  Bom! Ao contenta-se com apenas uma classificação qualis, o que pesquisador brasileiro perde? Acredito que seja uma quantidade enorme de dinheiro. Minha afirmação tem como base a forma de financiamento da pesquisa brasileira, em média os projetos duram apenas 2 anos, muitos morrem por falta de continuidade. Com a obrigatoriedade em publicar muitas vezes o pesquisador divulga resultados que sejam estratégicos e importantes para o país. Vejamos o exemplo do jambu, uma planta típica do norte do país e muita usada em diversos pratos da região. Ao acessar esse link encontramos a seguintes notícia: EUA registram propriedade medicinal do jambu e impedem pesquisa da Universidade Federal do Amazonas. Ao buscar por patentes, encontram-se que nos EUA existem cerca de 340 patentes sobre o processo de extração, valores acima da reportagem. Qual a questão ai? Algum pesquisador publicou e quem vai ganhar com esse conhecimento serão os donos das patentes. Interessante afirmar que o conhecimento é da população local, cujo pesquisador publicou e quem vai ganhar dinheiro será uma espécie de atravessador. Portanto, não é só a falta de financiamento que o pesquisador brasileiro sofre, mas também de estratégias de divulgação e preservação do seu conhecimento.

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Professor de Química Analítica da Universidade Federal do Amazonas, autor de livros em Química, Editor da Revista Eletrônica Scientia Amazonia e da Revista Divirta-se com o Clube da Química.

About Genilson Pereira Santana

Professor de Química Analítica da Universidade Federal do Amazonas, autor de livros em Química, Editor da Revista Eletrônica Scientia Amazonia e da Revista Divirta-se com o Clube da Química.

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