Elemento-traço ou metal Pesado?

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Quanto as quantidades são muito pequenas, traços e micro-traços são denominados oligoelementos. Em termos de presença em seres humanos podem ser divididos da seguinte forma:

Majoritários: O, C, H, N, Ca, P, S, K, Na, Cl e Mg;
Traços: Fe, Zn, Cu, F, Br e Se; e
Microtraços (ultratraços): I, Mn, V, Si, As, B, Ni, Cr, Mo e Co.

Na Química Ambiental o termo se refere a aqueles elementos que ocorrem naturalmente em níveis de parte por milhão ou abaixo disso.Entretanto, para a área o termo mais apropriado seria substância-traço, pois envolve tanto os elementos quanto as compostos químicos. O termo Metais Pesados seria um caso particular que compreende aqueles metais que possuem toxicidade ao homem. Destacam-se alguns metais de transição, como o chumbo e estanho,  arsênio, selênio e antimônio.

Este termo foi usado pela primeira vez em 1936, no livro de química inorgânica escrito pelo dinamarquês Niels Bjerrum (1936) que definiu esta classe de elementos em função da densidade. Segundo este autor, para ser metal pesado o elemento deveria ter densidade > 4 g cm-3. Atualmente, a designação para metal pesado é muito variável, sendo possível encontrar muitas diversas definições para o termo.

No Webster (1986), metal pesado é definido como Um metal com alta densidade; ou melhor, um metal que tem densidade de 5,0 ou maior. Entretanto, na tabela periódica existem 112 elementos dos quais 70 elementos possuem densidade > 4 g cm-3 e somente 10 elementos são definidos como metais pesados.

No dicionário de Ecologia e Ciências Ambientais (1998), metais pesados são aqueles metais com número atômicos de médio e altos, como o cobre, o cádmio, a prata, o arsênio, o cromo e o mercúrio, é que são tóxicos em concentrações relativamente baixas. Persistem no ambiente e podem se acumular em níveis que interrompem o crescimento das plantas e interferem na vida animal. Os detritos de atividades mineradoras e industriais e o lodo de esgoto são fontes de concentrações de metais pesados potencialmente prejudiciais.

É possível encontrar outras, como:Metais pesados são definidos convencionalmente como elementos com propriedades metálicas (ductibilidade, condutividade, estabilidade como cátions, etc.) e um número atômico > 20.

Alguns autores ao invés de definir o termo estabelecem uma classificação para os metais pesados. No livro de Alloway (1990), a classificação para metais pesados é baseada na densidade atômica (>6 g cm-3), o que incluem Se e  alguns elementos essenciais aos seres vivos, tais como Cu, Zn, Fe, Mn, Co, Mo e Se.

O termo elemento-traço tem sido preferido em diversas publicações que trata de assunto relacionados a metal pesado, devido ao fato de que nenhum órgão oficial na área de química, como a IUPAC, tenha o definido. Em texto produzido pela IUPAC (Heavy Metals – A Meaningless Term?), é citado que o termo “metal pesado muitas vezes vem sendo usado para nomear um grupo de metais e metalóides que são associados à contaminação e potencialidade tóxica ou ecotóxica”. Para a IUPAC o termo metal se refere ao elemento puro, que possui propriedades físicas e químicas bem característicos, e não dos seus compostos, cujas propriedades físicas, químicas, biológicas e toxicológicas são muitas vezes diferentes.

Além disso, a IUPAC recomenda a proibição do termo, pois se trata de uma nova classificação de elementos na tabela periódica. Infelizmente, isso é usado em regulamentações de agências ambientais de muitos países sem nenhum respaldo relevante da literatura.

Referências

ALLOWAY, B. J. Heavy metals in soils. New York, John Wiley, 1990, 339 p.

Dicionário de Ecologia e Ciências Ambientais. Henry W. Art. Editor-Geral; Prefácio de F. Herbert Borlmann; tradução Mary Amazonas Leite de Barros.Titulo Original The Dicionary of Ecology and Environmental Science.São Paulo: Companhia Melhoramentos, 1998.

LASAT, M.M. Phytoextraction of metals from contaminated soil: A review of plant/soil/metal interaction and assessment of pertinent agronomic issues.Journal of Hazardous Substance Research, 2000, v. 2: 5.1-5.25.

MANAHAM, S.E. Environmental Chemistry. 7 ed. Boca Raton: Lewis Publishers, 1999.

Bjerrum. Bjerrum’s Inorganic Chemistry, 3rd Danish ed., London (1936).

Webster’s Third New International Dictionary, Unabridged, Merriam-Webster: Springfield, MA, 1986.

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Professor de Química Analítica da Universidade Federal do Amazonas, autor de livros em Química, Editor da Revista Eletrônica Scientia Amazonia e da Revista Divirta-se com o Clube da Química.

About Genilson Pereira Santana

Professor de Química Analítica da Universidade Federal do Amazonas, autor de livros em Química, Editor da Revista Eletrônica Scientia Amazonia e da Revista Divirta-se com o Clube da Química.

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