A Química do Cotidiano

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O termo cotidiano no ensino envolve muitos sentidos, sendo considerado  ambíguo por muitos educadores. Para uns, trabalhar com o cotidiano trata-se de motivar os alunos com curiosidades, geralmente sobre uma notícia de atualidades como supercondutores, vazamento em usinas nucleares, chuvas-ácidas, tratamento contra câncer etc.  Comumente são os alunos que trazem as questões na segunda-feira, depois de assistirem a reportagens de TV no domingo. Muitas vezes eles ficam sem respostas, pois muitos professores não têm acesso às fontes de informação sobre essas questões.

Não são questões propriamente do cotidiano; situam-se entre o sensacional, o fantástico e o superinteressante. Aqueles que trazem esse tipo de questões querem respostas simples e imediatas, o seu interesse é fugaz, sendo difícil estabelecer relações mais profundas entre esse fato isolado e outros conhecimentos.

Diante dessa situação, a postura dos professores se divide; a imensa maioria a ignora, mas há escolas que utilizam pedagogias que trabalham em cima do interesse dos alunos, procurando aproximar o assunto levantado com aquilo que se pretende ensinar na escola. Para outros, trabalhar com o cotidiano é buscar ilustrações para determinados assuntos e desenvolvê-los em sala de aula.

Essa postura não é ensinar usando o cotidiano; são os exemplos e contra-exemplos práticos que fazem a ligação entre aula e fatos do dia-a-dia. Isso ocorre quando se exemplifica semi-metais com transistores; ésteres com aromatizantes; ácido clorídrico com gastrite; emulsões coloidais com maionese etc. Essa postura é apenas citar, não sendo estabelecidas relações mais amplas do conhecimento científico e o cotidiano do aluno. Apenas citar que os ésteres são aromatizantes e não ensinar que essas substâncias são sensíveis ao nariz, além de estarem presentes naqueles perfumes usados na casa dos alunos é não relacionar o conhecimento científico com cotidiano.

Uma proposta de trabalho com o cotidiano ligado ao conhecimento químico deve considerar a relação do aluno com a sociedade, somente assim deve-se estabelecer mecanismos de acomodação ensinamento recebido para a formação de um cidadão ciente do ambiente em que vive. Portanto, a visão da química do cotidiano implica em entender como o ambiente em que vive aluno aparece na sua vida diária, para que o conteúdo a ser ensinado seja mais próximo de sua realidade.

 

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Professor de Química Analítica da Universidade Federal do Amazonas, autor de livros em Química, Editor da Revista Eletrônica Scientia Amazonia e da Revista Divirta-se com o Clube da Química.

About Genilson Pereira Santana

Professor de Química Analítica da Universidade Federal do Amazonas, autor de livros em Química, Editor da Revista Eletrônica Scientia Amazonia e da Revista Divirta-se com o Clube da Química.

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