A impressão 3D e a Química

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Durante minha formação como Químico, uns dos fatos que marcaram minha carreira foi as oficinas existentes no Departamento de Química da UFMG. Lá existiam a oficina de eletrônica, mecânica e vidros cujos profissionais me ajudaram a produzir algumas adaptações e mesmo pequenos dispositivos que me possibilitaram ter sucesso no mestrado e doutorado. Essas oficinas possibilitaram e ainda possibilitam muitas dissertações e teses. Quando comecei a trabalhar na UFAM além de outras dificuldades que o Estado do Amazonas percebi que havia perdido a capacidade de adaptar e construir dispositivos. Ao ler sobre a impressão 3D me sentir esperançoso em voltar a fazer uma série de dispositivos. Essa afirmativa tem como base o trabalho do grupo de químicos da Universidade de Glasgow que ao ser provocada, concebeu projetos digitais que capturam etapas de síntese em um formato padrão, “como um MP3 para música”. A partir do projeto, carrega-os em impressoras 3D para então fabricar reatores dedicados, personalizados especificamente para as reações, extrações e cristalizações necessárias para uma substância. Estendendo a analogia musical, a equipe de Glasgow sugere que os químicos façam upload de projetos para algo como o Spotify, ganhando royalties com downloads. Nesta visão, as pessoas que querem fabricar substâncias não precisariam de impressoras 3D. O reator seria fabricado em outro lugar. Você obtém o reator e um kit de reagentes em seringas pré-cheias. Para provar esse conceito, mas evitar o uso ilícito, a equipe de Glasgow desenvolveram um projeto para o baclofen relaxante muscular barato e prontamente disponível. Eles projetaram cinco módulos cilíndricos opacos, cada um com capacidade de até 32 mL, com aberturas em seus topos para deixar o material entrar. Através de segundas aberturas em seus topos, os usuários podem aplicar pressão para forçar material de reação através de aberturas na parte inferior dos módulos. Os químicos também deram às câmaras portas através das quais os usuários podem introduzir nitrogênio, proporcionando reações com atmosferas inertes. A equipe de Glasgow imprimiram módulos em impressoras 3D Ultimaker, que custam apenas £ 1350. Eles pausaram a impressão para inserir barras de agitação magnética para módulos em que ocorrem reações, filtros hidrofóbicos naqueles onde ocorrem extrações e filtros de vidro em módulos de filtração. Eles poderiam, então, aquecer ou esfriar e mexer módulos usando placas de aquecimento convencionais. Caso contrário, a configuração é mais como uma fábrica de mini-química do que o material de vidro.

Fonte: Chemistry World

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Professor de Química Analítica da Universidade Federal do Amazonas, autor de livros em Química, Editor da Revista Eletrônica Scientia Amazonia e da Revista Divirta-se com o Clube da Química.

About Genilson Pereira Santana

Professor de Química Analítica da Universidade Federal do Amazonas, autor de livros em Química, Editor da Revista Eletrônica Scientia Amazonia e da Revista Divirta-se com o Clube da Química.

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